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A cultura dos técnicos: quando demitir e quando insistir?

Uma das maiores discussões do futebol mundial se dá sobre o trabalho de uma enciclopédia. Lugares diferentes do mundo têm visões diferentes que estão ligadas diretamente à cultura do futebol de cada lugar, que faz com que as consequências de um trabalho ruim sejam distintas para cada um.

Aqui no Brasil temos o costume de pedir a cabeça do técnico sempre que um time não está andando. É preciso ao menos uma queda de treinador para que depois, talvez, comecemos a olhar o elenco com a própria bola, ou qualquer outro fator.

Na Europa existe um problema contrário, que é o de insistir em treinadores mesmo com o trabalho não dando certo. Por lá, o treinador acaba tendo mais tempo, mesmo que esse tempo não pareça a coisa mais correta a se fazer. Apesar das culturas diferentes, os dois lados acabam tendo exageros em suas decisões, e vamos falar um pouco disso hoje.

A queda precoce de trabalhos em andamento

Muito mais comum no Brasil, onde somos mais passionais e acelerados no trabalho. Antigamente esse era o motivo que mais levava a demissões de treinadores. Se o treinador não tivesse uma sequência de vitórias logo de cara, poderia ser demitido em menos de um mês, algo que já aconteceu por aqui.

Guto Ferreira foi demitido do Ceará em agosto deste ano

No entanto, isso já nem precisa ir tão longe, se um treinador não consegue suprir as ambições que, muitas vezes nem condizem com o elenco do time, ele cai. Como foi o caso de Guto Ferreira, treinador que caiu do Ceará com o time jogando bem e em oitavo, com alegações de que ele não conseguia fazer o time ir mais longe. Hoje o Ceará briga para não cair.

A insistência em trabalhos que não evoluem

Por outro lado, temos o costume Europeu de insistir no erro. Um técnico precisa de tempo, mas nesse tempo o time precisa mostrar evoluções, se não, é apenas tempo perdido.

Por lá, é bem comum motivos externos fazerem com que o treinador ganhe uma sobre vida que ele muitas vezes não fez por merecer. Alegando que o técnico tem historia e por isso deve ter mais tempo, ou que ele foi um ídolo como jogador e por isso merece ter mais tempo.

O Manchester United vive isso na pele, com o treinador que praticamente piorou seu trabalho da temporada passada para cá, sendo mantido sob o argumento de ser o herói de uma Champions como jogador.

As falácias dos dois lados

Os dois exageros geralmente são bancados por falácias muito repetidas no mundo do futebol. A ideia de que um treinador tem que chegar e já resolver é extremamente fantasiosa, e embora aconteça em raras oportunidades, como foi com Jorge Jesus no Flamengo, elas podem levar um tempo e algumas decepções, como Tite no Corinthians.

Do outro lado, a ideia de que um treinador pode precisar de anos para conquistar um título, argumento que usa muitas vezes o nome de Alex Ferguson pelo fato do treinador ter demorado a ganhar títulos pelo United, cai pelo chão quando analisamos que o treinador pegou um time fraco, e os anos que precisou, foram para montar a equipe, diferente de Ole hoje, que já é um técnico estelar e esta na equipe a 3 anos.